Uma carreira, muitas transições: “É bom olhar pra trás, e admirar a vida que soubemos fazer.”
- Luciana Pinto

- 4 de mar. de 2024
- 2 min de leitura
(Nando Reis. "Pra quando o arco-íris encontrar o pote de ouro”)

Minha trajetória profissional foi alinhada e interconectada ainda que eu não tivesse controle sobre isso. Afinal, quem é que tem, né?
Muita gente não sabe eu comecei minha vida profissional como Técnica em Segurança do Trabalho, curso que fiz concomitante ao ensino médio, no (hoje) Instituto Federal de Educação Técnica de Pernambuco – IFPE. A escolha por esta formação foi baseada em uma única certeza – eu queria trabalhar pra as pessoas terem uma vida digna!
A escolha pelo Serviço Social veio como uma possibilidade de complemento à experiência profissional na Segurança do Trabalho. Em minha imaginação, eu poderia conciliar as duas competências e trabalhar no campo empresarial. Qual nada! Durante a graduação, fui, com outras colegas, convidada a apoiar um levantamento de dados para uma avaliação de projeto em uma Organização da Sociedade Civil do Recife, e foi quando descobri este outro universo, onde sigo interagindo até hoje, com roupas, papéis e funções, e tendo passado por tantas instituições diferentes ao longo de uma trajetória de 25 anos.
Mas mesmo neste universo das organizações da sociedade civil, um marco importante se impôs, a migração, em 2009, para a Cooperação Internacional, oportunidade que também me leva pra Bahia, onde entendi definitivamente o que é ter régua e compasso, levando comigo na bagagem o universo dos direitos de crianças, adolescentes e jovens, enquanto um importante fio condutor para mergulhar nas dimensões técnicas, políticas, metodológicas da minha intervenção, fosse no campo ou na cidade.
Em 2021, às portas dos cinquenta anos, em meio a uma pandemia, a demandas familiares, a transformações da conjuntura do país e a tantas reflexões mais intimas, uma virada de chave foi dando seus sinais, e optei por construir uma nova transição. Foram quase dois anos entre o sentir sem entender e agir de acordo com o que o coração pedia. A pergunta norteadora era: o que queria do futuro quando aquela etapa institucional findasse?
Neste tempo, que não se conta no relógio, muitos pontos de reflexão se somaram desde o contexto político nacional; e os desafios, oportunidades e riscos que viriam a partir daí, o diálogo sincero com pessoas queridas, a leitura cuidadosa do que a minha trajetória me ofereceu, uma revisão de erros, sem me punir ou me culpar, na mesma medida do reconhecimento e da contribuição que ofertei foram ingredientes indispensáveis para a gente se Reinventar. E surgiu a Reinvento – Criatividade em Gestão Social.
A Reinvento é a vontade de estar em parceria. De emprestar saberes e acúmulos às organizações, movimentos, programas e projetos sociais, ocupando um lugar diferente, às vezes mais distanciado, às vezes num mergulho profundo, por um tempo longo, ou em uma breve passagem. É rever antigas parcerias e conhecer gente do zero.
A Reinvento é a vontade de construir mais parcerias horizontais, e ser menos parte de dinâmicas hierarquizadas. É a vontade de escolher com quem trabalho a partir da tessitura entre competências e afetividade, é me deixar ser escolhida por organizações e por pessoas que apostam no que podemos construir conjuntamente. A Reinvento é a certeza que o futuro não se constrói sem reverência ao passado, e sem se estar presente no agora.
E com você, como são as histórias de reinvenção?




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