Monitoramento - como estamos com essa prática?
- Luciana Pinto

- 7 de fev. de 2025
- 2 min de leitura
O monitoramento é um processo essencial para a construção de aprendizagens tanto dentro das organizações da sociedade civil, como das redes e articulações que agregam diferentes sujeitos nesse campo. Assim sendo, é importante que seja compreendido como parte de um sistema maior, uma parte do ciclo de gestão, que congrega também o planejamento, a avaliação e a sistematização das práticas e aprendizagens. garantindo dessa forma o acúmulo de contribuições e ajustes que contribuam para aprimorar estratégias e fortalecer ações, bem como seus resultados.

Entretanto, na prática, muitas iniciativas de monitoramento ocorrem de forma fragmentada, vinculadas a projetos específicos, sem conexão estruturada com o planejamento estratégico mais amplo, e por força disso, nem sempre ele recebe o devido valor no ambiente institucional.
E em sua organização, quando se realiza o planejamento estratégico ou mesmo os planos anuais, estão garantidos espaços, recursos financeiros e humanos e o tempo adequado para a realização do acompanhamento das ações?
O que temos percebido é que em grande parte das vezes o monitoramento não é planejado de maneira programática, e nem recebe o investimento necessário, resultando em fragilidades. Além disso, é comum que o processo fique concentrado em poucos membros da equipe, com pouca participação coletiva.
Outra dificuldade recorrente é a falta de diferenciação entre impressões subjetivas da realidade e sua análise baseada em dados concretos, o que, em muitos casos, compromete a capacidade de tomada de decisões mais precisas. Isso, sem falar nos desafios de integração entre aspectos administrativo/financeiro e programáticos, dificultando uma visão sistêmica e estratégica.
Essas limitações são frequentemente impulsionadas por uma cultura organizacional pragmática, onde múltiplas demandas competem com a necessidade de reflexão e planejamento. A sobrecarga de trabalho impacta a saúde psíquica das equipes, enquanto a carência de capacitação em gestão administrativa e financeira limita a implementação de processos mais estruturados. A fragilidade na formação de novas lideranças e a dificuldade na comunicação estratégica também são fatores que contribuem para essas limitações.
Para fortalecer processos de monitoramento, é fundamental criar espaços de intercâmbio e reflexão, permitindo que as equipes troquem experiências e aprendizados. O fortalecimento de redes territoriais possibilita a construção de soluções coletivas e o compartilhamento de boas práticas. Além disso, investimentos em formação e capacitação são indispensáveis para que o monitoramento seja realizado de maneira eficaz. O apoio de consultorias pode ser um recurso valioso, desde que seu papel seja fortalecer a autonomia das organizações e não criar dependência.
Alguns fatores podem tornar o monitoramento mais eficiente e significativo: a valorização do afeto e das relações interpessoais, fortalecendo a construção coletiva e o engajamento das pessoas envolvidas; o desenvolvimento criativo de instrumentos que captem mudanças subjetivas, estabelecendo critérios e conceitos que permitam avaliar aspectos intangíveis quantitativamente, como fortalecimento emocional e sentimento de pertencimento. O processo deve ser contínuo e flexível, respeitando dinâmicas colaborativas e garantindo autonomia das equipes. A documentação das aprendizagens pode ser feita de maneira simples e criativa, assegurando que os conhecimentos gerados sejam sistematizados e compartilhados.
Diante desses desafios e possibilidades, o monitoramento pode se tornar uma ferramenta poderosa para aprimorar ações e estratégias, promovendo não apenas a avaliação de resultados, mas também a construção de conhecimento coletivo e a valorização dos processos organizativos.




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